terça-feira, 22 de agosto de 2017

a sailor in the dark I

i have no name or place
nowhere to go and no one to be
when the light shines again

i am a locked and filled box
whose key has been lost
the more i try to open
the more i lose my worth

i am neither living nor dead
simply a lost soul in a broken vessel
shattered by the weather of the seas
stranded in an archipelago of madness

a victim of the winds
that change everyday
but are always the same

i am the harmless blazing fire
whatever i burn burns me back
even if the wind blows and it goes out
even if i am cold as the darkest night

i am human but i cannot be human
as much as i want i can't find myself
anchored to the docks of the world
marooned in the rocks that shine on

in the mirror i see a shell
in my thoughts i feel a distance
from all that gave me reason.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

complete sua censura

à _________, aquela _______ de __________,
flor-de-____ dos verdes de _______
e estrela nos azuis das ____________.
abraça estes versos da _______________
e guarda contigo as tuas memorias dela
da terra que te acolheu
da cidade que te criou
da história que existiu
da poesia que cá está.
um presente tanto cedo de aniversário
de ____, infelizmente não um ___________.

human whiplash

like a book
i read your prologue
and i thought
"that's that, right?"

i looked at your title
and it seemed like all
your whole synthesis
in a few words or one

but it always was a heavy book
it was a burden on my hands and head
i had to bend my neck for you
and now i feel the whiplash in me

i apologise for it truly and fairly
no book is its cover nor its font
and no person at all in this world
is a loose handful of grammar

the more we read
the less we see
why not to read

the more we see
less is understood
of you and me and all

the more we understand
how lesser and frail we are
we become humanly human.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

verdade na língua

a verdade é uma só
quem pode a ver
está comigo

aquele que crê somente em si
estará do outro lado do campo
porque não custa abrir os olhos

eu falo russo e você grego
e achamos que era português.

terça-feira, 18 de julho de 2017

pequeno mundo

vim, vi, perdi.

como você sempre dizia
que cada um faz o que quer
como eu sempre ouvia
tudo do jeito que você quer

não sei quem você é mais
se é pessoa ou nada
memória digna de esquecer
de enterrar tudo que foi

vi alguém com muito
coisa demais pra o mundo
no abraço eu existia
com você eu finalmente vivia

pra quê o sol se tinha seu sorriso?
você brilhava mais que o céu
e todo o fogo que ia me aquecer
unicamente e totalmente seu

mas talvez era tudo meu
parte de mim escapando
e disfarçado como musa

minha cabeça criou você
meu coração queria a mim
minha alma partiu para ti

sua voz era esquizofrenia
seus olhos eram um oásis
seu calor um frio ilusório

não deixei de te amar
nem vou, como posso?
talvez amo ainda mais
por você ser mais como eu

e se na verdade amo sua memória?
as brasas que me deixou
eu carrego comigo no grande inverno
que congela minha alma

você é memória e não pessoa
eis o que penso e creio
finalmente, talvez, com razão
e de ti eu me libertarei

as imagens oscilam
a sua chama apaga e acende
a luz que queimou meus castanhos
ainda me lembram dos teus próprios

arrependo-me de todos os dias
desde o insulto a esse amor
porque tanto recebi e nada dei

queria te dar o sol que está no céu
queria te proteger do mundo inteiro
queria ser pra ti o que você foi pra mim

ser tua ilusão, teu pilar que sustenta?
ser tua fogueira, nas noite mais frias?
ser motivo de teu sorriso, só isso importa

num dia acordo descrente, desanimado
querendo te confrontar e dizer tudo
as palavras que foram descartadas
a maligna decepção que se formou

noutro quero só te fazer sorrir
te agarrar e apertar como antes
colar de novo meu rosto no seu
e assim falarmos tudo e mais

eu não sei, nunca sei de nada
o sentido do passado me escapa
o presente é uma tosca incógnita
e o futuro pode ser tudo ou nada

ser ou deixar de ser, eis a questão
porque tudo está errado, enganado
não lhe atingi nem você me atingiu
com nossas verdadeiras verdades

olho pra você com mágoa
lembro de ti com saudade
quero-te mais aqui do que ali

amo tua humanidade que me cativa
tuas mãos entrelaçadas em mim
sua alma é a metade de mim

quero nunca mais te ver, te sentir
mas aguardo ansioso o dia fatídico
em que poderei ser digno do meu amor

o mundo é pequeno demais pra te amar.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

pequenas brasas

os restos de seu calor ainda me aquecem
como pequenas brasas lutando pela vida
já não consome tudo, combustível nulo
mas sua fumaça entope tudo que há
e cada pira é uma dor
e cada chama é um amor
e cada labareda é um esforço.