sábado, 9 de dezembro de 2017

shard

a broken mirror
still can reflect
a shattered cup
still has an edge
a cracked bottle
still holds things
but where is the glass in these pieces of a soul and a heart?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

conflito eterno

liberta-me de mim
e deixarei o medo de voar sumir
canta-me pra mim
e ouvirei a melodia da liberdade
viva-me em mim
e não haverá altura inalcançável
liberta-nos do fardo da existência

sangue coagulado nos pulsos
tanto abraçados pelos grilhões
da prisão na qual me coloquei

vertigem e catatonia na mente
um corpo são mas despedaçado
como a alma que nele habita

vendido ao conflito eterno daqui
não serei o vencedor dessa guerra
mas a última batalha será minha

o calor, a névoa, o segredo
a vida marcada pelos vícios
da insegurança de estar vivo
da paranóia de eu não estar

o abraço, a ilusão, o controle
obcecado como numa fissura
carente daquilo que fortalece
carente de tudo que me move

o sorriso, a memória, o fechar
fogueiras acendem e iluminam
os pensamentos obscurecidos
os corredores frios que caminho

o amor, a dor, os esconderijos
tanto é sentido e nada entendido
nessa aventura por encruzilhadas
nessa carnificina causada à alma

liberta-me de ti
e serei mais livre que o universo
canta-me pra ti
e saberei como perderá dessa vez
viva-me em ti
e finalmente será alcançada a vida
liberta-nos de ti e dá-me liberdade.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

saber subir esquecer

sabe,
eu já te amei tanto e mais
dediquei cada fibra a você
que hoje me odeio demais
incapaz de tudo esquecer

sabe,
eu apagaria o sol e a luz
pro seu brilho ser o único
e nada disso seria sádico
nada além da minha cruz

sabe,
eu sonhei com teu sorriso
tinha sempre um improviso
pra te fazer rir e deixar feliz
e era tudo que sempre quis

sabe,
eu abraçaria esse seu calor
não teria mais nenhuma dor
traria a esse mundo uma cor
independente do que ele for

soube, sobe, esquece
nada disso ainda me é verdade
nada mais pertence à realidade
nada foi além de uma caridade
nada fora a minha sinceridade
tudo sina de uma imaturidade
tudo fruto dessa incapacidade
tudo foi e será a enfermidade
tudo quis menos a veracidade

suba,
você quis essas minhas asas
porque as suas se escondem
num coração que não quer ato
que o mostre e te machuquem

suba,
você era mais que um reflexo
amava todo teu corpo e alma
o precioso momento de calma
onde finalmente achava nexo

suba,
você me dava o meu sentido
fazia valer a pena ter existido
só porque tinha alguém por aí
que fazia me sentir parte daqui

suba,
você atacou com voracidade
tomou toda a afetuosidade
consumiu a passionalidade
levou minha individualidade

soube, sobe, esquece
nada disso ainda me é verdade
nada mais pertence à realidade
nada foi além de uma caridade
nada fora a minha sinceridade
tudo sina de uma imaturidade
tudo fruto dessa incapacidade
tudo foi e será a enfermidade
tudo quis menos a veracidade

esqueça,
apunhalado eu fui por você
nas costas que te carreguei
de fato não fiz por merecer
mas eu também me magoei

esqueça,
abandonado eu fui por você
quando só precisava do real
pensei que o carinho era leal
mas fui apenas algo pra bater

esqueça,
anulado todo eu fui por você
pensava num motivo pra viver
um abraço que iria me salvar
mas foi só uma cova a cavar

esqueça,
assustado eu fui por você
pensei que fosse te entreter
quando estava a te aborrecer
mas nada fez pra reconhecer

soube, sobe, esquece
nada disso ainda me é verdade
nada mais pertence à realidade
nada foi além de uma caridade
nada fora a minha sinceridade
tudo sina de uma imaturidade
tudo fruto dessa incapacidade
tudo foi e será a enfermidade
tudo quis menos a veracidade

pode parecer que pedi demais
e dentro de mim eu queria mais
mas você dizia sempre sorrindo
como nosso carinho era lindo

pode dizer o quanto me amou
todas vezes que me considerou
era o que você queria e tudo bem
do teu amor eu podia viver sem

pode me culpar e também derrotar
tudo que você fez foi me amargar
para as pessoas do mundo e a vida
quando é você que crê que foi traída

pode esquecer de tudo no passado
jurava que tenha realmente amado
que era boa e tinha que viver com
gostava de gostar e isso era bom

não sabe, não sobe, esqueceu
a punição pra quem te fui eu
agora posso dizer que morreu
tudo aquilo que nos aconteceu.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

irrealidade

assim fui novamente viajante
navegador das velas negras
andarilho dos pés descalços
aquele pisa antes de olhar

me encontrei ao oásis
e bebi da sua fonte
não havia gosto a água
nem reflexo em sua piscina

os peixes eram sombras
as pedras eram buracos
a água não era água

despreza, botei-me a partir
sem rumo que não fosse o meu
tropecei e caí e afundei e foi assim
que me agarrei para não me perder

o apoio se prendeu mais que eu
virou um tosco fardo a carregar
pelas caminhadas que hei de fazer
sem nada nem ninguém pra acudir

as trilhas eram só terra
as placas eram só árvores
o caminho não foi caminhado

que vil esta viagem!, me disse-me
pois ninguém me ouviria
botei o fardo nas costas e marchei
em direção ao destino que esperava

cansado, apagado, desamparado
o cabelo me caía aos olhos
o suor lavava minha pele
a dor massageava meu ser

o corpo era apenas o meu
a alma era somente a minha
a mente não era nada de útil

desfaleci aos pés de um templo
infinito em altura e radiante como sol
seria apenas miragem?, me ponderei-me
e vi que tudo foi e será ilusão enquanto ando.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

a sailor in the dark I

i have no name or place
nowhere to go and no one to be
when the light shines again

i am a locked and filled box
whose key has been lost
the more i try to open
the more i lose my worth

i am neither living nor dead
simply a lost soul in a broken vessel
shattered by the weather of the seas
stranded in an archipelago of madness

a victim of the winds
that change everyday
but are always the same

i am the harmless blazing fire
whatever i burn burns me back
even if the wind blows and it goes out
even if i am cold as the darkest night

i am human but i cannot be human
as much as i want i can't find myself
anchored to the docks of the world
marooned in the rocks that shine on

in the mirror i see a shell
in my thoughts i feel a distance
from all that gave me reason.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

complete sua censura

à _________, aquela _______ de __________,
flor-de-____ dos verdes de _______
e estrela nos azuis das ____________.
abraça estes versos da _______________
e guarda contigo as tuas memorias dela
da terra que te acolheu
da cidade que te criou
da história que existiu
da poesia que cá está.
um presente tanto cedo de aniversário
de ____, infelizmente não um ___________.

human whiplash

like a book
i read your prologue
and i thought
"that's that, right?"

i looked at your title
and it seemed like all
your whole synthesis
in a few words or one

but it always was a heavy book
it was a burden on my hands and head
i had to bend my neck for you
and now i feel the whiplash in me

i apologise for it truly and fairly
no book is its cover nor its font
and no person at all in this world
is a loose handful of grammar

the more we read
the less we see
why not to read

the more we see
less is understood
of you and me and all

the more we understand
how lesser and frail we are
we become humanly human.